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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Conto "O Tabuleiro" venceu!

 Olá a todos!

O conto "O Tabuleiro" venceu o Primeiro Lugar no concurso "Ficção à Brasileira".

Vejam o vídeo e o link dos restantes vencedores logo abaixo:


Restantes vencedores: https://concursosfdh.carrd.co/#three


sábado, 12 de setembro de 2020

Conto "O Tabuleiro"

 Olá!

Informações do Conto:
Título: O Tabuleiro
Autor: Rui Martins
Número de Palavras: 1.015 Palavras

Créditos: Fábrica de Histórias


Santa Catarina. 15 horas da tarde. Dois amigos de seus nomes Leandro e Artur tentavam estudar para a sua prova de História. O tema seria a independência do Brasil.
– Juro que não estou entendendo nada disso. – Comentou Leandro.
Leandro estava na biblioteca da escola em frente a Artur. Os dois olhavam para as folhas do caderno sem entenderem nada.
– Não acredito como é que Dom Pedro começou ali a discursar para um bando de nada. – Falou Artur.
Leandro riu. Eles estavam no fundo da biblioteca, onde estava a estante com os livros de literatura policial e de assuntos mais esotéricos. Artur não estava com muita paciência para o estudo e Leandro entendeu isso, pois não conseguia manter o olhar no livro à sua frente. A biblioteca estava um pouco vazia àquela hora e a senhora Adriana estava de costas para eles olhando para o computador. O relógio atrás deles fazia um "tic-tac" ensurdecedor. Leandro olhou atrás de si. Olhou concretamente para uma estante em específico. Artur entendeu.
– O que está procurando?
– Um tabuleiro.
– Um tabuleiro de quê? Os jogos estão lá do outro lado.
– Um tabuleiro de Ouija.
Artur fez um ar de choque.
– Você está louco? O que é que você quer fazer? – Sussurrou.
Leandro se levantou da cadeira e foi pegar o tabuleiro de Ouija na estante onde olhou. Voltou com ela, pousando sobre a mesa. Com o copo de água que o Artur tinha levado com ele, virou ao contrário fazendo pingar algumas gotas sobre a mesa. Artur via tudo, chocado.
– Você não está pensando em fazer o que eu estou pensando.
– E no que você está pensando?
– Você vai fazer o quê? Chamar os espíritos das provas?
– Não, vou chamar o Dom Pedro.
– Vai o quê?! Você está maluco?
– Ninguém melhor do que ele para nos explicar o que aconteceu nessa época aqui. Como ele conseguiu a independência e essas coisas todas.
– E como você vai saber que vai ser o Dom Pedro?
– Vamos tentar.
Artur se virou para trás. A senhora Adriana estava desatenta, perdida ainda com o olhar sobre o seu computador. Ele se virou novamente para Leandro.
– Ela vai entender. – Artur apontou o seu dedo polegar para trás de si. Leandro entendeu.
– Não vai não, ela está ouvindo música. Não viu ainda?
– Como assim?
– Olhe lá o fone. Depois de almoço ela bebe demais e fica só ouvindo música. Nem quer saber dos alunos que entram aqui.
Artur encolheu os ombros e respirou fundo. Eles iriam mesmo fazer aquilo. Sim, Leandro posicionou o copo sobre o tabuleiro. O jogo tinha começado!
Sob o som do "tic-tac" do relógio, Leandro e Artur tentaram contactar com Dom Pedro, imperador do Brasil. Eles colocaram os dedos indicador e médio no tabuleiro e Leandro colocou o copo em cima da letra G. Um espírito foi falar com eles.
– Quantos espíritos há neste lugar? – Sussurrou Leandro.
O copo ficou parado alguns segundos. Artur respirou de alívio. Estava com medo. Leandro não parou de olhar para o copo. Ele se movimentou, finalmente, para susto de Artur. A resposta foi o número 3.
– Algum esteve presente na independência do Brasil?
O copo se movimentou para o sim. Leandro prosseguiu.
– Dom Pedro é um deles?
O copo se movimentou para o sim e de seguida ficou vagueando entre as bordas do tabuleiro. Artur e Leandro se olharam. Pelas regras, quando isso acontece é porque estão falando com um espírito ruim. Dom Pedro era ruim? Artur olhou para o caderno e fez a sua pergunta.
– Nasceu em Outubro?
O copo se moveu para o sim.
– Era alto?
O copo permaneceu no sim.
– Tem um temperamento impulsivo?
O copo continuou no sim. Leandro abanou a cabeça. Não era nada disso que queria perguntar.
– Você adotou as ideias liberais? – Decidiu perguntar, interrompendo Artur.
O copo permaneceu no sim.
– Por que decidiu permanecer no Brasil após 1821?
O copo começou a parar em algumas letras. Eles olharam atentos. "Para ficar próximo dos brasileiros. Eu me sentia bem. A minha família chorou ao voltar para o Brasil".
– Como se tornou imperador?
"Após dar o Grito de Ipiranga, dando a independência do Brasil, eu me coroei".
– Isso foi em que ano?
"1822".
– Por que fez isso?
"A América do Norte já se tinha tornado independente da Inglaterra e nas colónias espanholas da América do Sul já se ansiava a libertação".
– Como o seu pai, Dom João VI, entendeu isso?
"Entendeu bem. Ele me mandou uma carta em 1822 dizendo que ainda se lembra e lembrará sempre do que Vossa Majestade me disse no meu quarto dia antes de partir: Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti que me hás-de respeitar do que para alguns desses aventureiros".
– Era a favor das ideias absolutistas?
O copo parou no sim.
Os dois ainda fizeram algumas perguntas e depois disseram "adeus". Já sabiam tudo.
Saíram da biblioteca e um dia depois foi a prova. Correu muito bem para eles. Um mês depois veio a nota. Vermelha. A professora comentou que haviam feito confusão com Dom Miguel, irmão de Dom Pedro. Aí eles entenderam tudo. Foi o espírito de Dom Miguel quem falou com eles na biblioteca. Ele os havia enganado. Dom Miguel era a favor das ideias absolutistas. Dom Pedro era liberal moderado. Dom Miguel era ruim, foi ruim para o irmão entrando em guerra com ele. Dom Pedro era conhecido por ser bom.
No dia seguinte voltaram à biblioteca e foram tentar falar com o espírito de Dom Miguel. Ele surgiu. A conversa não correu muito bem. Dias depois os dois começaram a ter alucinações e perdas de sentidos. Acabaram sendo socorridos por paramédicos, mas não terminou aí. Leandro acabou matando a senhora Adriana após uma possessão e acabou preso. Já Artur deixou de sair à rua, passando a estudar em casa. Passou a ficar com medo. O espírito tinha se prendido a Artur. E pior do que isso, Artur começou a ter medo de relógios. Medo de ouvir o barulho de relógios. Aquele "tic-tac" do relógio da biblioteca ainda o assombrava.
Maldita prova de História! Os portugueses sempre irão possuí-lo.

"Tic-Tac".

"A Promessa" - Conto

 Olá, Gente!

Deixo aqui a minha participação no desafio dos Contos ambientados no Brasil do Grupo Fábrica de Histórias.

Informações do Conto:
Título: A Promessa
Autor: Ricardo Fernandes
Número de Palavras: 1.010 Palavras
Sinopse: Camila é uma jovem brasileira inconsciente. Sai de casa sem máscara e com a avó doente cardíaca. Ao chegar, sem se aperceber, infeta a avó, matando-a.
OBS: Palavras impróprias.




Brasil. Mês de Junho. 2020. Covid 19. Quinze horas da tarde. Após o almoço. Camila sai de casa sem proteção, ou seja sem máscara. A avó estava sentada no sofá da sala, a ver um pouco de televisão. Ou melhor, a dormitar.
– Avó, eu vou sair. – Diz ela, a passar pela sala.
A avó tosse. Parece incomodada.
– Querida, não vá já.
– Tenho que ir, avó.
– Mas vai onde?
– Tenho que ir ter com uns amigos aí.
– Camila, por favor. Olha o corona.
– Que corona o quê, avó! Isso não existe.
– Olhe lá isso, as pessoas dizem que o corona pode matar. Mata as pessoas idosas, mata pessoas doentes, pessoas com asma, com problema de coração, tem que ter cuidado com essas coisas.
– Que quê, avó. A senhora não ouviu o Presidente?
A avó fez um barulho de descontentamento.
– Esse homem só fala besteira. Ele falou na frente de todo o mundo que tem histórico de atleta e que o corona nunca faria nada com ele.
– Mas é verdade, avó. O Presidente tem razão. O corona não é isso tudo não.
– Querida, o presidente está errado. Já viu os casos lá na Europa?
– Avó, até parece que a senhora não sabe que a Europa tem só lixo. As pessoas não se lavam lá, é tudo um nojo.
A avó fez mais um barulho de descontentamento.
– Camila, por favor, minha filha, isso é tudo mentira. O corona é real sim, olha só tanta gente morrendo, tanta gente perdendo família, amigos, perdendo pais, avós, tios. Isso é verdade.
– Oh, avó, a senhora está acreditando em teorias falsas. Ouça o Presidente. Ele é que tem razão.
– Se vai sair, use a máscara.
– Não vou sair de máscara, avó. O que os meus amigos vão falar?
– Vão falar que você está sendo responsável e se precavendo contra esse vírus, contra esse corona.
– Isso é um absurdo, avó. Eu vou embora.
– Não vá, Camila. Olha lá o corona.
Mas Camila já tinha ido embora de casa. A avó ficou preocupada. Ela não iria trazer o Covid para dentro de casa. Iria?

***

Camila caminhou pelas ruas de São Paulo. Estava ainda chateada com a conversa que teve com a avó. Não era possível que ela pensasse numa coisa daquelas. Um vírus matar pessoas. Que coisa sem noção! Isso não fazia o menor sentido.
Encontrou os amigos perto de um barzinho. Eram quatro.
– E aí? Como vão?
Eles se cumprimentaram com abraços, beijos e apertos de mão. Algumas pessoas ainda passeavam de máscara, mas eram poucas. Eles comentaram sobre isso após Camila pedir uma cerveja ao empregado.
– Vocês já viram isso? Esse povo usando máscara, tapando a boca achando que o vírus vai nos pegar?
Uma amiga riu.
– Esse povo tem fumando umas merdas meio estranhas.
– É mesmo, não é? A minha avó me veio com a história do Presidente estar mentindo. Uma loucura.
– Esse povo está louco! – Falou outro amigo.
– Está mesmo. A gente já viu por aí pessoas parecendo uns extraterrestres, coisa louca. – Comentou Camila.
– A culpa é daqueles chineses, cara. Eles sempre vêem com coisas estranhas para cima da gente. – Falou Andrielly, a mãe solteira do grupo.
– Mas o seu celular é deles. – Comentou Camila.
– Os celulares são bons, não é?! Tipo, assim... Alguma coisa é boa lá.
Os amigos riram.
– A minha tia lá do Rio pegou Covid. – Informou a mais nova do grupo.
– E aí?
– Cara, foi só uma gripezinha. – A jovem encolheu os ombros e riu.
– Está vendo? Tal como o Presidente falou. – Camila riu também.
– Essa gente está se estressando por nada.
Eles ficaram bebendo, fumando e conversando durante algumas horas. Às 19 horas, Camila regressou a casa. A avó estava dormindo com a televisão ligada. Camila chegou tentando não fazer barulho e se apressou para a cozinha para fazer o jantar. Fez uma sopa de canja de galinha. A avó acordou entretanto e pôs a mesa para as duas. Camila preparou as tigelas e colocou duas colheres de sopa para a avó e duas para ela mesma. Sentaram-se, caladas. Camila olhava para a televisão, despreocupada. A avó olhava séria para a neta.
– Como foi a tarde?
– Foi boa.
– Os seus amigos levavam máscara?
– Não, avó. Claro que não.
– Eles não tinham máscara? – A avó parecia triste.
– Não, avó. Isso é tudo uma mentira.
A avó decidiu ficar calada e comeu a sopa em silêncio. Camila nem olhou novamente para avó e voltou a sua atenção para a televisão.

***

Uma semana depois a avó foi para o hospital. Tinha sintomas de tosse, febre, falta de ar e dores no peito. O teste à Covid 19 pôde confirmar a razão. Positivo. A avó apenas resistiu mais uns dias. O coração parou. Camila chorou à porta do hospital e nem pôde ir ao funeral da avó.
Dias depois, Camila foi falar com os amigos no mesmo barzinho. Apenas três amigos estavam presentes.
– O que aconteceu com a Bia? – Beatriz era a mais nova do grupo. Andrielly, era a mãe solteira, tinha ainda Bruno e Isadora, além de Camila.
– Ela está em casa. A tia morreu com o corona. – Respondeu Andrielly, séria.
Camila começou a chorar.
– Gente... Eu falei para a minha avó que o corona não era nada. Nem pude me despedir direito.
Os amigos abraçaram Camila.
– Se vocês quiserem, a minha mãe está criando umas máscaras em casa. – Comentou Bruno.
Camila foi a primeira a afirmar com a cabeça.
– Eu compro. Quando o Covid terminar eu irei ver a minha avó.
Até ao fim deste conto, Camila ainda não pôde visitar a avó. O surto de Covid 19 ainda não tinha terminado no Brasil, na verdade, nem no Brasil e nem no Mundo. No entanto, os hábitos de Camila se alteraram. Ela passou a usar máscara quando saía na rua, começou a cumprimentar os amigos com o cotovelo e ainda tenta manter a promessa que fez à avó. Irá ao cemitério ver ela quando tudo isto terminar. A Camila pode não ter ajudado a avó, pode não ter acreditado nela, mas agora ela sabia: O Covid 19 não era apenas uma gripezinha.

Fim do conto!

terça-feira, 18 de agosto de 2020

"Eva" venceu!

 Olá!

O microconto "Eva" do Ricardo venceu primeiro lugar do concurso dos microcontos. Vejam o selo:


Aproveitem para ouvir o podcast com os vencedores:

E se inscrevam no canal: Fábrica de Histórias

sábado, 18 de julho de 2020

"Histórias de Vida" - Conto

Olá, Gente!
Deixo aqui a minha participação no desafio dos Contos do Grupo Fábrica de Histórias.

Informações do Conto:
Título: Histórias de Vida
Autor: Ricardo Fernandes
Número de palavras: 603
Sinopse: As histórias de vida dos nossos avós, quando contadas, deixam-nos muitas coisas. Ao tornarmo-nos pais, ou avós queremos recontar essas histórias como se fossem contos. Alguns sentem-se bem ao recontá-las, não importa que no momento de as ouvirem pela primeira vez tenha sido mais aborrecido. As memórias ficam e temos necessidade de recontá-las. Eu recontei. E vocês?



As histórias de vida dos meus avós era fantástica. A avó Ana e o avô Alfredo conseguiam contar as suas histórias dolorosas de vida com uma serenidade inacreditável. Chegava a ser mágico. Eu era apenas um neto de dez anos a ouvir perto da fogueira totalmente maravilhado. Não importava a história que fosse, eu sempre ficava atento a ouvir, mesmo que fosse um rapaz irrequieto. Havia amor nas palavras deles, mesmo que algumas fossem mais tristes. Muitas vezes, a minha mãe surgia para me buscar, mas eu sentia-me bem em casa dos meus avós. Eles contavam as histórias deles, jogávamos às cartas, aquecíamos com o calor da fogueira. As tardes sombrias de inverno passavam-se bem.
Não havia muita coisa na casa dos avós. Era uma casa humilde. Uma casa de campo. Havia um colchão de palha e café de cafeteira quentinho. Bebia café com leite, afinal era apenas um jovem. Tinham cobertores quentes, só um bastava para aquecer o corpo de alguém. A avó comprava açúcar para o café quente e o avô ia pescar. Eu, às vezes, ia com ele, mas não sabia bem agarrar na cana de pesca. Era forte, mas não tão forte quanto o meu avô. Nunca sabia quando os peixes agarravam a cana. O avô nunca se chateava, nem quando era mais rebelde. Ele sorria. A minha avó ainda colocava um ar sério para mim, advertindo-me, e aí eu parava.
Quando o sol se punha vinha o cheirinho do café e da fogueira, dos avós e do amor que ali havia. Nunca foi preciso tabletes de chocolate, mas ela comprava sempre que eu ia visitá-los. Eu comia com satisfação, mas não era o mais importante para mim. Eu gostava de estar perto deles. Mesmo sem essas coisas que a avó comprava continuava a ser o meu sítio preferido. A avó tinha um cabelo curto e todo branco. O avô tinha barba branca e usava sempre um chapéu quando saía de dia. Não sabia dizer com quem a minha mãe mais se parecia. Ela parecia mais autoritária do que eles. Há uns tempos, ouvi que a minha avó era uma mãe autoritária, mas não conseguia acreditar. Acho que um neto que tenha bons avós nunca acredita que eles já foram pais rigorosos.
Em tempos de pandemia havia sempre alguns dias mais difíceis. Nesses dias as recordações eram normalmente mais fortes, mas eram também essas memórias que os inspiravam a contar-me mais coisas sobre a vida deles. Eu não me importava de ouvir histórias tristes. Um dia haveria de ser velhinho tal como o meu avô, com netos a correr pela casa. Tenciono contar todas estas histórias a eles. A pandemia irá passar e tudo ia ficar bem. Pelo menos, nessa altura pretendo que a pandemia esteja terminada. Tem que terminar.
Os meus avós diziam-me que a fogueira é um espírito. É o espírito dos avós, das almas que foram. Talvez eles se sentissem mais à vontade de me contar as histórias deles ao olharem para ela. Mas isso também não impedia nada. Mesmo sem fogueira, com os dias mais quentes, eles contavam-me as histórias deles também. Ás vezes na sala, sentados no sofá. Havia união, cooperação, amizade. Eles explicavam-me que só através de laços e valores fortes iríamos conseguir ultrapassar as dificuldades, incluindo a pandemia.

***

Às vezes sentado à mesa cheirava-me a café. Sentia o calor da fogueira. Levantava-me e ia até à fogueira. Sentia os meus avós. Eles tinham falecido há sete anos. Hoje casado e a olhar para a barriga da minha mulher sentia-me feliz. Eu iria contar todas as histórias dos meus avós ao meu filho.


Espero que tenham gostado!

Eva - Microconto

Olá, Gente!
Aqui está a minha participação no Desafio do Grupo Fábrica de Histórias.

Informações do Microconto:
Título: Eva
Autor: Ricardo Fernandes
Número de palavras: 90
Baseado na música: Eva - Nightwish

Música:




Eva saiu de casa a correr. Estava apavorada, assombrada. Os pais dela discutiam, achavam-na louca, doente. Comprimidos atrás de comprimidos para a depressão deixavam-na drogada. Mas, nessa noite, ela não olhou para trás. Correu até à ponte e mandou-se dali até à água, imaginando ser uma fada. Ela não era louca só tinha perdido o irmão mais novo para o céu há um ano.
O funeral ocorreu.
– Lamento, a Eva tinha muita dor no coração. – Disse o psiquiatra dela.
Eva era esquizofrénica, diagnosticada há um ano após matar o irmão.


Gostaram?!

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Conto "Penumbra"

Olá!

Informações do Conto:
Título: Penumbra
Autor: Rui Martins
Número de palavras: 530 palavras.

Créditos: Fábrica de Histórias


Amanhece lá fora. O sol desperta sem medos. Irradia de luz e energia tudo ao seu redor. Cá dentro a penumbra. Não quero que amanheça. É só mais um dia. Um dia igual a todos os outros dias. Quando menos esperar chegará o medo. Esse medo que me enrola numa teia de aranha, que me deixa confuso, que me transforma. Sou apenas um corpo que perambula no vazio. Não quero que amanheça, pois não consigo sair à rua. E nem quero que me vejam dentro deste lugar, dentro desta cama. As marcas vincadas no corpo não me assustam, mas as razões delas podem se ouvir nas paredes brancas deste quarto. Essas vozes martelam-me a mente como uma chuva de raios que surge num inverno sombrio e frio. O medo é a minha sombra. Transformou-se na minha sombra porque já não sei o que é viver, por isso, não tenho medo. Degrau a degrau, essa sombra vai-me empurrando para o topo de uma escadaria que me levará ao inferno. Quanto mais subo, menos eu sou. Menos eu estou. Esse medo vai se fundindo em mim como brasa, e ela queima, queima como o inferno que devo ir parar em breve. Talvez mais cedo do que julgo. Ninguém me ouve falar, ninguém me ouve rosnar, há meses que não dou uma única palavra a estes homens e mulheres vestidos de branco. Parecem preocupados, mas eu não estou. Eu estou sereno, sabendo que o medo vem alcançando-me lentamente e levando-me para o purgatório devagarinho até chegar ao inferno sã e salvo. Este medo vem sobrevivendo à custa do meu silêncio. Sou cúmplice do medo. Sou cúmplice do silêncio. Cúmplice porque viro o rosto, fecho os olhos, não penso, não falo, não revelo sentimentos, estou calmo e sereno, ou pareço calmo e sereno. Às vezes, o medo não aparece. Costuma ser um visitante, mas não vem todos os dias. Com certeza tem mais coisas para fazer do que vir ver um velho caquético.
– Como está o senhor António? – Ouço do outro lado. Não respondo. Nunca respondo. Nunca respondi. Não nestes últimos meses.
– Está na mesma. O cancro está a levá-lo lentamente. Não temos muito mais o que fazer. Temos dado mais doses de morfina e tem-se aguentado.
Tossi. Era o único barulho que fazia nestes últimos meses.
Algumas vezes fantasio. Fantasio que o medo não está cá e que do outro lado há um mundo bonito. Mas na terra não fui um bom homem. Não fui um bom pai. Mandei para fora de casa a minha filha que me apareceu aos treze anos grávida. Ela teve que ir para casa de uma vizinha e depois decidiu ir para casa de uma irmã da minha mulher. Acabei por ficar viúvo há dez anos e hoje tenho isto... Este cancro a correr-me por dentro.
Escurece lá fora... A penumbra chega até mim. Hoje... neste momento, eu quero que amanheça. Hoje olhei para o medo. Sorri.
– Estamos a perdê-lo. – Ouvi um homem falar.
Não quero ser mais um estorvo, não quero ficar aqui perdido no meio da estrada. Já vejo o fim dela ao longe. Caminho a passos curtos, mas rápidos. Cheguei ao destino.
Estou na penumbra.


Microconto "Estrela"

Olá!

Informações do Microconto:
Título: Estrela
Autor: Rui Martins.
Número de palavras: 38 palavras.
Baseado na música: Space Bound - Eminem

Música:




Luís deu um tiro na cabeça, após anos de violência psicológica. Morreu sim, mas era uma morte boa porque a recebia dela. Virou uma estrela para puder guiar a amada durante todo o caminho que ela quisesse percorrer.

domingo, 5 de julho de 2020

Desafios Literários Conto e Microconto

Boa tarde!
A Diana é moderadora do grupo Fábrica de Histórias e temos dois desafios novos.



1) Um microconto songfic = pensando que temos o dia do rock a meio do mês, devemos escrever um microconto de até 500 palavras baseado em qualquer música que a gente goste, de qualquer estilo.
Não é para colocar o trecho de música no meio da história em separado. O trecho pode aparecer como epígrafe, mas devemos nos basear na letra para escrever a nossa história.



2) Um conto com protagonista idoso = podemos fazer um conto de 500 a 6.000 mil palavras sobre personagens que já estejam na terceira idade, relembrando que os dia dos avós é no fim do mês.


Regras:
1) Você pode participar dos dois desafios com quantas histórias quiser, mas só será premiado(a) com uma.
2) Respeite o tema e o limite de cada proposta;
3) Respeite as regras da plataforma em que postar sua(s) história(s); aceitarão histórias publicadas em todos os sites, incluindo blogs e sites pessoais.
4) Prazo de inscrições: 04 de Julho a 31 de Julho de 2020.
5) A história pode estar dividida em capítulos (no caso dos contos) desde que não ultrapasse o limite máximo e esteja marcada como concluída no dia 31.
6) A moderação do grupo pode participar, mas apenas para incentivar a comunidade. Nenhum admin ou moderador será premiado.

Premiação:
Selos de primeiro, segundo e terceiro lugares para cada proposta e divulgação especial no grupo e na página.


A página do grupo: Página Fábrica de Histórias

OBS: Pelo menos duas pessoas aqui da equipe vai participar e deixar a sua participação!

sábado, 23 de novembro de 2013

O caso Parker-Hulme

O caso Parker-Hulme foi um assassinato ocorrido em Christchurch, Nova Zelândia, em 1954. O caso teve notoriedade quando uma mulher foi assassinada pela sua filha mais velha e a sua melhor amiga. O assassinato deu origem ao filme de 1994, “Almas Gémeas”, que foi o filme que colocou Kate Winslet no cinema.


Juliet Hulme, de 15 anos, conheceu, na Nova Zelândia, uma colega de escola, Pauline Parker, de 16 anos. Ambas tornaram-se amigas e sonhavam com uma vida juntas, cheia de fantasia, actores famosos (como James Mason e Orson Welles). Também se soube que tiveram uma espécie de relação lésbica.

Com o passar dos tempos, a intensa relação de amizade que surgiu entre elas vai chegando aos limites do amor obsessivo. Juliet não era nada sem a sua Pauline, e Pauline não poderia viver sem a sua Juliet. Passam os Verões juntas, os Invernos e todas as horas do dia uma com a outra. Descobriram que tinham uma imaginação incrível e a utilizaram para criar milhares de histórias.O que elas não sabiam, era que aquela maravilhosa história de amor, acabaria da pior maneira possível. Pauline escrevia um diário, onde expressou todos os seus sonhos e a sua rotina diária. Ali haviam histórias, inclusive, de relações sexuais entre ela e Juliet. Ela contava absolutamente tudo ao seu diário, e isso foi o que a delatou. Nos anos 50, na Nova Zelândia e na maioria dos países, a homossexualidade era considerada uma doença mental. Pauline foi diagnosticada de “lesbianismo” pelo médico Kenneth Stallworthy, que procurou a mãe de Juliet. Henry Hulme estava muito preocupado com a relação das duas meninas, porque não via como natural, ou normal. A culpa, é claro, foi colocada em Pauline. Pouco depois, a ameaça de serem separadas para sempre assombrava as meninas, que decidem ir juntas para os Estados Unidos, vender as obras de teatro que escreveram juntas. Contudo, por causa da instabilidade do casamento dos Hulme, a separação torna-se evidente e Juliet vê-se obrigada a ir à África com a sua tia. Pauline decide ir com ela, mas o plano é frustrado quando a sua mãe se recusa a permitir que a filha viaje com a amiga. Nesse momento, Pauline percebe que o único obstáculo entre ela e Juliet é Honora Parker, a sua mãe.
E decide matá-la!
No dia 22 de Junho de 1954, Honora foi encontrada perto do Parque Victoria, com o crânio destroçado por golpes.
As autoridades encontraram o cadáver e pouco depois, Pauline Parker e Juliet Hulme foram indicadas como as autoras do crime. A prova: os diários de Pauline. Ela havia planeado tudo. Sabiam o que tinham que fazer e como iam fazer. Juliet ajudaria-a em tudo.
Em 22 de junho de 1954, as meninas conduziram Honora Parker a um passeio, a pé, pelo parque Victoria, na cidade de Christchurch, onde moravam até então. Num lugar solitário do parque, Juliet mandou uma pedra de ornamento no chão, fazendo com que a Sra. Parker se agachasse para pegá-la. Nesse momento, Pauline havia planeado golpear a sua mãe com metade de um tijolo envolto numa meia. As meninas achavam que isso seria o suficiente para matá-la, entretanto, foram necessários 45 golpes de ambas para finalmente matar Honora Parker. A brutalidade do crime contribuiu para a sua notoriedade.
Pauline e Juliet foram levadas a juízo em Christchurch em 1954, e foram declaradas culpadas em 29 de Agosto do mesmo ano. Como eram muito jovens para ser submetidas à pena de morte segundo a lei neozelandesa daquela época, foram sentenciadas e condenadas a permanecer presas na graça de Sua Majestade. Na prática, essa sentença significava que permaneceriam presas a critério do Ministro da Justiça. Foram libertadas, separadamente, uns 5 anos depois. Uma das condições para a sua libertação foi que jamais voltariam a ver-se ou a comunicar-se.
Juliet Hulme logo após a libertação, mudou o seu nome para “Anne Perry”, usando o sobrenome/apelido do seu padrasto. Voltou para a Inglaterra, para morar com a sua mãe, no povoado escocês de Portmahomack. Tornou-se uma famosa escritora de livros sobre assassinatos, histórias de detectives e mistérios. Nunca se casou, nem teve filhos.
Pauline Parker, também após ser libertada, mudou o seu nome. Iria chamar-se “Hilary Nathan”. Depois de passar um tempo a viver na Nova Zelândia, ante a vigilância das autoridades, mudou-se para a Inglaterra. Ingressou num convento católico e converteu-se. Actualmente, também reside na Inglaterra, nas ilhas Órcades. Não se casou, nem teve filhos. Negou-se a falar com a imprensa sobre o assassinato de sua mãe, e apenas disse ter remorso e estar arrependida.
Acredita-se que nenhuma delas jamais voltou a encontrar-se.

Ricardo.

sábado, 12 de outubro de 2013

Óleo de cão - Conto

Decidi trazer um conto para vocês. Digam o que acham.

Olá! O meu nome é Boffer Bings. Nasci de pais honestos, num estilo de vida dos mais humildes. O meu pai era fabricante de óleo de cão e a minha mãe tinha, ao pé da igreja da vila, um pequeno gabinete, onde eliminava bebés indesejados. Já na minha infância aprendi os processos da indústria. Não apenas ajudava o meu pai procurando os cães para o seu caldeirão, como também a minha mãe me encarregava frequentemente da missão de me desfazer dos despojos do seu trabalho no gabinete. Para me desincumbir desse mister, às vezes precisei de toda a minha natural inteligência, posto que todos os agentes da lei da vizinhança se opunham aos negócios de minha mãe. Já que os agentes não haviam sido eleitos pela oposição, o assunto nunca tinha injunções políticas: simplesmente faziam-no por fazer.
Naturalmente, o trabalho de meu pai – fabricação de óleo de cão – era menos impopular, embora os proprietários dos cães desaparecidos o olhassem às vezes com desconfiança, o que, em certa medida, se reflectia em mim. Como sócios, à escondida, tinha o meu pai os médicos da cidade, que quase nunca aviavam uma receita sem que nela constasse ao que eles orgulhosamente designavam “Ol. can.”, o remédio mais valioso que já se houvera descoberto. Mas a maioria das pessoas não está disposta a fazer sacrifícios pessoais pelos aflitos e era evidente que muitos dos cachorros mais gordos da cidade eram proibidos de brincar comigo. Isto feriu a minha sensibilidade juvenil e, certa feita, dirigiram-se a mim para fazer-me de pirata.
Olhando para trás, para aqueles dias, não posso, às vezes, evitar o arrependimento, pois, levando indirectamente os meus queridos pais à morte, fui o autor dos infortúnios que profundamente afectaram o meu futuro.
Certa noite, ao passar à frente da fábrica do meu pai, quando vinha do gabinete de minha mãe, trazendo um exposto, vi um guarda que parecia observar atentamente os meus movimentos. Embora bastante jovem, eu já aprendera que os guardas só acorriam aos fatos mais repreensíveis, de molde que dele me esquivei, enfiando-me na fábrica de azeite por uma porta lateral, que calhou estar aberta. Travei a porta de uma vez e fiquei só com o meu morto. O meu pai já se recolhera. A única luz daquele lugar provinha do forno, que ardia intensamente sob um dos caldeirões, espalhando uma profunda luz e lançando reflexos rubros nas paredes. No caldeirão, o óleo estava em indolente ebulição, empurrando, ocasionalmente, um pedaço de cão para a superfície. Fiquei a esperar que o guarda se retirasse. Mantive no meu colo o corpo nu da criancinha e lhe acariciei ternamente o cabelo curto e sedoso. Ah, como era bela! Já naquela tenra idade eu gostava muitíssimo das criancinhas e, ao contemplar aquele anjinho, quase desejei no meu coração que a pequena ferida vermelha de seu peito, obra de minha querida mãe, não fosse mortal.
O que eu pretendia, como de costume, era jogar a criança ao rio, que a natureza sabiamente nos legara para tal fim, mas, naquela noite, com medo do policial, não me atrevi a deixar a fábrica de azeite. “Afinal – disse com os meus botões – , não acho que teria importância se eu vier a entorná-la no caldeirão. O meu pai nunca irá distinguir os seus ossos dos ossos de um cachorro. E as poucas mortes que pudessem resultar da administração de outro tipo de azeite, no lugar do incomparável 'Ol. can.', não serão percebidas numa população que cresce tão rapidamente". Em suma, dei o meu primeiro passo para o crime, o que me trouxe sofrimentos indizíveis, e entornei a criança no caldeirão.
No dia seguinte, para minha surpresa, o meu pai, a esfregar as mãos de satisfação, informou a mim e à minha mãe que obtivera o óleo de qualidade nunca vista, e que este era o parecer dos médicos aos quais levara amostras. Ele acrescentou que não tinha ideia de como lograra tal resultado, pois tratara os cães como sempre o fizera, em todos os aspectos, e eram eles de uma raça comum. Considerei que era o meu dever lhes ofertar uma explicação e teria certamente contido o ímpeto da minha língua se pudesse prever as consequências. Os meus pais, lamentando a anterior ignorância sobre as vantagens de combinar os seus afazeres, adoptaram medidas para reparar o erro. A minha mãe mudou o seu gabinete para uma ala do edifício da fábrica e as minhas tarefas com relação ao ofício cessaram. Já não mais precisavam de mim para que me desfizesse dos pequenos supérfluos e não remanescia a necessidade de atrair os cães à condenação, pois o meu pai renunciou completamente a eles, embora ainda ocupassem o honroso nome no azeite. Assim, subitamente atraído para o ócio, poder-se-ia esperar que eu me tornasse uma pessoa viciosa e dissoluta, mas não foi isso o que aconteceu. A santa influência de minha querida sempre recaía sobre mim, protegendo-me das tentações que assediam a juventude, e, além disso, o meu pai era diácono de uma igreja. Ai de mim! Por culpa minha, estas estimáveis pessoas iriam evoluir a um fim tão cruel!.
Ao experimentar um proveito duplo com os seus negócios, a minha mãe entregou-se ao mister com uma assiduidade nunca dantes vista. Não apenas se desfazia dos bebés indesejados que lhe eram entregues, como acorria às ruas e becos à procura de criancinhas maiores e mesmo adultos que lograva atrair à fábrica. Também o meu pai, apaixonado pela melhor qualidade do óleo produzido, fornecia os seus caldeirões com diligência e zelo. A conversão dos seus vizinhos em óleo de cão tornou-se, em suma, a paixão das suas vidas. Uma ganância absorvente invadiu as suas almas e ocupou o lugar da esperança que tinham de alcançar o paraíso, que, da sua feita, também os inspirava.
E se atiraram tão vivamente à empresa que uma reunião pública foi realizada, na qual adoptaram-se resoluções que os censuravam severamente. Ele foi intimado pelo presidente: quaisquer incursões contra a população seriam recebidas com hostilidade. Os meus pobres pais saíram da assembleia com o coração partido, desesperados e, creio eu, não completamente sãos. Considerei prudente, de toda forma, não entrar com eles na fábrica de óleo naquela noite e fui dormir lá fora, num estábulo.
Cerca de meia-noite, algum misterioso impulso ordenou que eu me levantasse e espreitasse pela janela do quarto do forno, onde eu sabia que meu pai já dormia. O fogo ardia em fulgores, como se esperasse por uma colheita abundante no dia seguinte. Um dos enormes caldeirões fervia devagar, dotado de um misterioso aspecto de auto-contenção, como se aguardasse o momento de transbordar a sua total energia. Mas o meu pai não estava na cama. Levantara-se e estava com roupas de dormir. Fazia um nó numa corda vigorosa. Pelos olhares que dirigia à porta do quarto de minha mãe, deduzi perfeitamente o propósito que ele tinha em mente. Mudo e imóvel, cheio de terror, eu nada pude fazer em matéria de prevenção ou alerta. Subitamente, a porta do quarto da minha mãe abriu-se sem fazer ruído e eles se defrontaram, ambos aparentemente surpreso. A senhora também estava de camisola, e levava, na mão direita, a sua ferramenta de trabalho: uma longa adaga de lâmina estreita.
Ela foi, igualmente, incapaz de negar-se ao lucro que a atitude hostil dos cidadãos e a minha ausência lhe permitiam. Por instantes, eles contemplaram mutuamente os olhos em chamas e, então, lançaram-se com indescritível fúria um contra o outro. Como demónios, lutaram pelo cómodo todo. O meu pai maldizia. A minha mãe gritava. Ela tentava cravar-lhe a adaga. Ele forçava por estrangulá-la com as grandes mãos. Não sei por quanto tempo tive a desgraça de observar este desagradável momento de infelicidade doméstica, mas, enfim, depois de um esforço mais vigoroso que o ordinário, os adversários subitamente se separaram.
O peito do meu pai e a arma da minha mãe exibiam sinais de contacto. Por instantes, olharam-se da forma mais hostil. Então o meu pobre e ferido pai, sentido sobre si a mão da morte, saltou à frente e, fazendo pouco da resistência que a minha mãe oferecia, tomou-a nos braços, conduzindo-a ao caldeirão fervente. E, reunindo as suas últimas forças, saltou com ela! Num momento, ambos tinham desaparecido e adicionavam seu óleo àquele do comité dos cidadãos que os haviam convocado, no dia anterior, à reunião pública.
Convencido que estes funestos acontecimento obstruíam todos os caminhos para uma honorável carreira naquela cidade, abandonei-a em prol da famosa vila de Otumwee, onde escrevi estas memórias com o coração repleto de remorsos por um ato tão imprudente e que envolve um deveras catastrófico desastre comercial.

Ricardo.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O demónio que vive em ti

Aqui está mais um conto para vocês.

Naquele momento, encontrava-me sozinha em casa, sem nada para fazer além de contemplar, observar e sentir a relativa calma daquela escura noite. De um minuto a outro, encontrava-me escrevendo ao máximo do que minha inspiração alcançava, para aliviar um pouco esses momentos, pois o silêncio começava a perturbar-me e inquietar-me. Quanto mais escuro ficava, mais estranha eu sentia.
E, de repente... Nada. Somente silêncio e obscuridade rodeavam o que antes era pura calma. Via ao meu redor nada mais que um vazio... Mas, de toda forma, encontrava-me calma, serena e a pensar.
Sem me dar conta quando, comecei a escutar estranhos ruídos e sinistros lamentos, ou talvez gemidos... Não sabia de onde vinham, senti-me incompetente. De repente, esses terríveis lamentos pararam, e no seu lugar, um macabro riso começou a soar. Fazia na minha mente um eco brutal, simplesmente não parava, e não parecia querer parar.
Perdi a calma. Não conseguia dizer nada, apenas observava e escutava. Comecei a visualizar uma silhueta semi-humanoide, com dois vermelhos e penetrantes olhos. Naquela silhueta desenhava-se um sorriso, e da sua direcção vinham as gargalhadas, cada vez mais seguidas e fortes em minha mente.
Perdi o controle. Comecei a gritar “QUEM É?” “QUEM ÉS TÚ?” “O QUE QUERES?”. Não me dizia nada, apenas continuava a rir. Pedi que respondesse e nada.
Fechei os meus olhos no meio aquele riso maníaco e os cobri com as mãos. As lágrimas e o desespero tomaram conta de mim. Após alguns minutos, abri os olhos, tirei as mãos do rosto e não havia nada.

“Teria sido um sonho... Ou melhor, um pesadelo?”
“Estou a ficar louca?”
“Algo realmente aconteceu?”

Este tipo de experiência é mais comum do que pensei. Quando fui ao psiquiatra, ele me receitou alguns remédios e disse que eu sofria de stress. Não me contentei e, pela Internet, encontrei pessoas que tiveram a mesma experiência que eu.
Há um demónio que assombra a mente humana. Ele está sempre presente, mas não lhe é permitido aparecer. É esse demónio que nos leva a cometer erros, a fazer escolhas erradas, à depressão e mais uma série de coisas más. Ele está ao nosso lado esquerdo, parado, estagnado. Ele nunca nos deixa sós.
Algumas pessoas passam pela experiência de escutá-lo ou visualizá-lo. Foi o que aconteceu comigo. Porquê? Porque no momento de maior escuridão, quando estamos sozinhos e nos deixamos levar pela angústia e pela falta de fé, ele consegue a força suficiente para se fazer visível.
Uma criatura extremamente obscura, um ser vindo das trevas que leva cada ser humano ao erro. Aquele que perturba o seu sono, que lhe traz pesadelos. Aquele que lhe induz a afundar mais ainda a lâmina, no momento do suicídio. Aquele que tira o seu controle.
Essa pode não ser uma história de terror que estrele um filme, mas posso garantir-lhes que é real. E lhes garanto, ainda, que pelo menos uma vez na vida, terão uma experiência de contacto com o vosso demónio.

Todo o mundo tem um demónio dentro de si.

E qual é o teu?

Pesquisado por Ricardo, Postado do Diana (DSP).

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Ouça o relógio

Olá aos leitores do Terror 666. Trago aqui mais um post. Se quiserem fazer o que está no post estão a vontade, apenas não me responsabilizo por danos que possam causar.

Se quiseres perder todo o rastro da realidade e destruir a tua sanidade por completo, simplesmente deves ouvir o relógio.
Contudo, permite-me dizer, isto não será fácil. Não é algo com o que tu devas brincar. É somente uma forma simples de perder cada rastro da tua mente. Para conseguires, tens que seguir algumas regras.

A primeira deve ser, estares num quarto sem janela nenhuma. Pode ser um quarto qualquer, só não deve ter janelas.
A segunda é que, podes começar a qualquer hora do dia, inclusive se decidires começar à noite. Este processo durará 24 horas para ser completo.
A terceira, cancela qualquer compromisso que tenhas no dia e desligua o telefone. Tu não podes ter nenhuma distracção.
A quarta, estejas seguro que seja um dia tranquilo, sem ventos ou trovões.
E, por último, deves colocar no quarto escolhido, um relógio. Esse relógio deve ter um distinto “tic-tac” em cada segundo que vá passando e, como única iluminação do lugar, uma vela.
Uma vez que tenha tudo o que é requisitado, quero que faças uma pergunta a ti mesmo e respondas com toda a sinceridade: “Quero realmente fazer isso?” Se a resposta for afirmativa, então espero que Deus, Lucifer o qualquer que seja a tua crença, tenham piedade da tua alma, porque eu, só estou aqui para te preparar.

Muito bem, agora vamos às informações e esclarecimentos. Em meados dos anos 1800, membros radicais das fés cristãs, muçulmanas e islâmicas, usaram isso como uma forma de “conectar-se” com o Deus de cada cultura. Entretanto, isso foi algo desconhecido, devido à sua natureza extrema e por ser um método tão incomum para se conectar ao sobrenatural.
Durante este processo, aquelas pessoas faziam uma oração constante, mas paravam devido aos eventos que se passariam depois. O relógio representava a vida na terra, quão curta pode ser e a vela representa Deus como a entidade guia que o ser humano pode ter ao longo da vida. Infelizmente, é muito comum que as pessoas que se aventuram neste processo acabem por perder a sanidade e, ao longo do dia, devido a isso, chegam a perder a vida.

As primeiras 3 horas são as mais leves, principalmente porque nada chega a acontecer realmente. Utilizem este período para se prepararem psicologicamente. Essas serão as únicas horas em que podem escolher entre continuar ou abandonar o processo.
Na quarta hora, não poderão escapar sob possibilidade nenhuma. A porta se trancará por si mesma e não há forma de movê-la.
Quinta hora: Começarás a suar abundantemente e a sentir ansiedade. Poderás ver vultos atrás de ti, mas em todas as ocasiões, apenas o nada te acompanhará.
Sexta hora: Escutarás ruídos. Não serão ruídos da casa ou do lado de fora, mas batidas e ruídos secos, em intervalos de dez minutos, sendo um mais forte que o anterior.
Sétima hora: Desmaiarás. Sonharás. Mas, acredita em mim, esta será a única hora agradável durante o processo, já que reviverás os melhores momentos da tua vida. Cada vitória, lembrança boa e cada grande amigo que tu tiveste, aparecerá para ti. Este será o melhor sonho que terás em vida, e, se tiveres sorte, talvez poderás ver algumas coisas que acontecerão no futuro.
Oitava hora: Acordarás no início desta hora. Ao fazê-lo, terás uma sensação de comodidade enorme, talvez similar aos efeitos de fumar maconha/erva enfim.... Para alguns, isso também pode ser considerada outra hora agradável do processo, mas, a partir da hora seguinte, se desencadeará o sofrimento.
Nona hora: Para que entendas da maneira mais fácil, nesse momento é como se tu trocasses de uma droga para outra. A calma será substituída por uma carga de adrenalina e energia, similar aos efeitos de qualquer droga estimulante (por exemplo, cocaína). Advertência: antes de tudo, deves manter o controle. É imprescindível que o teu controle seja mantido nesse estado, pois não há forma de saber nem dizer o que tu farás.
Décima hora: Com sorte, apenas terás feridas mínimas no corpo, da hora anterior. Agora começarás a voltar à normalidade. Nesta hora, começarás a ouvir gritos que parecem vir do outro lado da porta. Tais gritos variam, sendo tanto de uma menina, como de um homem adulto, entre outros. Eles ocorrem a cada 6 minutos desta hora, que parece uma eternidade.
Décima primeira hora: Adeus luz da vela. A vela irá apagar-se. Estarás na escuridão durante o resto do processo. Geralmente é nesta hora que tu pensas que tomaste uma decisão terrível.
Décima segunda hora: Curiosamente, a vela irá acender-se sozinha. Não te preocupes, esta será outra hora de silêncio. Aproveite para te preparares psicologicamente para o que virá.
Décima terceira hora: É provável que o ocorrido na hora 7 volte a acontecer, mas ao contrário. Não esperes momentos agradáveis. Neste sonho, reviverás cada momento doloroso, sofrimento e coisas más. Inclusive, poderás ver o sofrimento futuro, e, com segurança afirmo, que será o pior sonho que tu tiveste e terás em toda a tua vida.
Décima quarta hora: Acordarás para outra hora de silêncio, que só será rompido pelo soluço do teu choro pelo que viste no sonho. Não importa o quão forte tu crês que seja, terás a alma cortada em pedaços pelo sonho.
Décima quinta hora: Esta parte poderá matar-te. Aqui, começarás a falar com alguém, que apesar de ser invisível, estará ali contigo, fazendo-te companhia. Não tem nome. Falando assim pode parecer uma coisa boa, porém a primeira coisa que este ser te dirá será “Pergunta-me qualquer coisa e te responderei.”Tu podes perguntar qualquer coisa da tua vida. O ser te responderá com detalhes extremamente precisos, e te dará as razões de todos os teus questionamentos, sem se importar que isso implique tragédia, dano, morte (tua ou de outras pessoas), erro ou o que seja. Ao final, se despedirá e irá embora. Aqui tu poderás saber, por exemplo, qual foi o motivo da morte de uma pessoa que amas. Toda a ideia que tinhas de ti mesmo, será derrubada.
Décima sexta hora: Conversarás com os teus pais, mas eles não estarão presentes fisicamente. Agora é o teu turno de responder perguntas. Te perguntarão coisas que fizeste durante a vida e, se não responderes alguma das suas perguntas, serás pressionado com dor, até que não aguentes mais e respondas. No final, se despedirão e irão embora. Por mais difícil que seja, precisas de te concentrar e não acreditar que uma hora inteira de tortura física e psicológica estão sendo infligidas pelos teus pais. É tudo parte do processo.
Décima sétima hora: Falarás com o homem mais importante da tua vida. Pode ser o teu melhor amigo, o teu pai, enfim. Te perguntará como e porque se conheceram, e como se deu o vínculo de vocês. Tem em conta que ele não procurará uma conversação agradável. Se te esqueceres de um detalhe, uma mínima vírgula de toda a tua relação com esta pessoa, serás pressionado novamente por meio de dor, até ir embora. A partir daqui a tortura física fica mais intensa e tu podes até sentir o desmembramento de ti mesmo. Sentirá toda a dor de um membro sendo cortado, arrancado ou golpeado. Verás o teu sangue. Quanto mais desesperado, mais dor lhe é infligida. Precisas ser muito forte para continuar a responder às perguntas, ou viverás 60 minutos de uma intensa e insana tortura.
Décima oitava hora: O mesmo que a anterior, mas com a mulher mais importante da tua vida.
Décima nona hora: Falarás com uma pessoa inesperada: tu mesmo. Mas no futuro. Acredita, embora tu já tenha sentido dor o suficiente, está será a pior conversa que jamais terás. Te dirá coisas que queres e que não queres ouvir sobre ti mesmo, e perguntará coisas que não poderás responder. Logo começarás a entrar em colapso contigo mesmo, gritando com fúria e, provavelmente, o auto-conhecimento seja o único que te salve neste momento. Nunca sabes o que acabarás por te tornar no futuro. E se o teu sonho brilhante de te formares e comprares um apartamento, seja interrompido por algum acidente? Cadeira de Rodas? Drogas? Coma? Sim, ti saberás de tudo. E, provavelmente, não gostarás disso.
Vigésima hora: Após os dolorosos eventos das últimas horas, começarás a mutilar-te. Alguns, devo advertir, cometem suicídio neste momento. Não é algo propositado, mas durante 60 minutos não conseguirás parar de se magoar. Fogo, lâminas, alicates, lixas... Tudo o que podes imaginar, surgirá na tua frente. É como se estivesses preso dentro do teuu corpo, mas outra pessoa esteja a controlar-te. Sente a dor, o desespero e tentas lutar. Mas nada adianta.
Vigésima primeira hora: Se sobreviveste à hora anterior, a música espera-te. Sim, leste bem, a música. Será música orquestral, algo similar a um coro que canta Cânticos Gregorianos, similar à música de igreja, porém muito mais bonito. No final desta hora, não me perguntes como nem porquê, suas feridas saram.
Vigésima segunda hora: A música acabará. Outra hora de silêncio. Nesta ocasião, terás tempo para pensar. A luz da vela mudará constantemente a todas as cores do espectro visual.
Vigésima terceira hora: Cantarás algo similar ao coro anterior, mas não entenderás o que cantas. A tua voz será o única coisa que escutarás.
Enfim, a vigésima quarta hora. A mais interessante. Uns dizem conversar com Deus, outros com o Demónio, não se sabe o que acontecerá contigo. O teu corpo será pressionado ao chão por uma força desconhecida e alguém (ou algo) te fará perguntas de dez em dez minutos.“És feliz?” ou “Gostarias de mudar?” são exemplos de perguntas. Deves responder de forma rápida e concisa. O interrogante soará como um homem, mas a sua voz é de um animal. Aterradora, mas de alguma forma agradável. Logo que a hora termina, poderás te colocar em pé e a porta se destrancará. Se tiveres sorte, sairá vivo. Se tiver muita sorte, sairá são.

Agora, és tu quem decide o que fazer com essa informação. Se quiseres falar, não serás impedido, mas fica um conselho e advertência: há coisas muito além dos terrenos da compreensão humana e, muitas vezes, não há forma de explicar o sobrenatural. Mas, seja o que for, jamais serás o mesmo.

Se quiseres perder todo e qualquer rastro de realidade e quiseres destruir a tua sanidade mental, apenas escuta o relógio.

"Tic-tac".


Rui.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Abarimon

Abarimon é o nome de uma raça lendária de pessoas nativas de um país com o mesmo nome.
O povo de Abarimon tinha pés para trás mas mesmo assim corriam bastante em grande velocidade. Vivem ao lado de animais selvagens e tentam capturá-los.



Ricardo Fernandes

sábado, 22 de junho de 2013

Megan Meier - Cyberbullying

Megan Taylor Meier (6 de Novembro de 1992 - 17 de Outubro de 2006) foi uma adolescente estaduniense.
Cometeu suicídio por enforcamento aos 13 anos e 11 meses de idade. O seu suicídio foi atribuído ao Cyberbullying ocorrido na rede social Myspace.
Tudo começou por supostamente um adolescente de 16 anos chamado "Josh Evans". Esse adolescente era na verdade Lori Drew, mãe de uma ex amiga de Megan Meier, que admitiu ter criado a conta no Myspace com a sua filha e a sua funcionária Ashley Grills, com 18 anos na altura. Várias pessoas contribuíram actuando na conta falsa incluindo a própria Lori Drew. Planeavam usar os e-mails de Megan Meier com "Josh Evans" para obter informações sobre ela e posteriormente humilhá-la em vingança a Megan ter supostamente espalhado rumores a respeito da filha de Lori.
Lori Drew foi culpada de três acusações em 26 de Novembro de 2008. O caso causou grande comoção e provocou várias jurisdições no sentido de criarem leis de combate ao cyberbullying.



Pesquisado por Juliana Dindarova, Postado por Rui.

sábado, 4 de maio de 2013

O assassinato de Junko Furuta

Atenção: Este é um dos casos mais chocantes. Avisamos que pode ferir os leitores mais sensíveis.

Em Novembro de 1988, uma estudante chamada Junko Furuta, nascida no ano de 1972, foi sequestrada por quatro rapazes e mantida em cativeiro por 44 dias na casa dos pais de um deles.
Junko tinha uma certa popularidade na escola mas não se envolvia em drogas, segundo fontes. Os quatro rapazes em particular tinham idades entre os 18 e os 16 anos.
Para evitar a perseguição, um deles forçou Junko a ligar para os pais dizendo que tinha fugido de casa mas que estava bem na casa de um amigo. Também foi obrigada a fingir que era namorada de um dos rapazes. Os pais do rapaz perceberam que era mentira mas nada podiam fazer já que um dos raptores, membro da Yakuza (máfia japonesa), ameaçou usar as suas conexões contra os seus familiares. Um deles, segundo fontes, mantinha uma paixão não correspondida por Junko e era tido como uma pessoa violenta.

44 dias em cativeiro

Atenção: Os relatos abaixo foram usados no tribunal. Toda a tortura foi documentada em vídeo.

De acordo com as declarações no julgamento, Junko foi violada e espancada por diversas vezes.

1º dia - Sequestrada; Mantida em cativeiro; obrigada a mostrar-se namorada de um dos rapazes; violada (mais de 400 vezes no total); forçada a ligar para os seus pais e dizer que tinha fugido de casa; Sem comer; Foi obrigada a comer baratas e a beber a própria urina, forçada a masturbar-se; forçada a despir-se na frente de outros; Foi queimada com isqueiros;

11º dia - Espancada inúmeras vezes; mãos amarradas ao tecto e corpo utilizado como saco de pancada; Não pôde respirar pelo nariz já que sangrava imenso por ter sido partido; Halteres contra o seu estômago; vomitou quando tentou beber água (o estômago não aceitava); tentou fugir e foi punida com queimaduras de cigarros nos braços; líquido inflamável foi derramado nos seus pés e pernas, queimando-os; Garrafa foi inserida no seu ânus, causando ferimentos.

20º dia -  Não conseguia andar devido a queimaduras graves nas pernas; espancadas com varas; fogos de artificio foram introduzidos no ânus e acesos; mãos esmagadas por pesos e unhas rachadas; espancada com tacos de golfe; cigarros inseridos na vagina; espancada com barras de ferro; forçada a dormir na varanda, no frio;

30º dia - cera quente espirrada no rosto; pálpebras queimadas por isqueiros; agulhas inseridas nos seios; obrigada a arrancar o mamilo com um alicate; lâmpada quente inserida na vagina; tesoura inserida na vagina;, causando hemorragia grave; incapaz de urinar adequadamente; ferimentos tão graves que demorou mais de uma hora para rastejar as escadas até à casa de banho; timpanos seriamente danificados; extrema redução do tamanho do cérebro.

40º dia - Pediu para os torturadores "matá-la e acabar logo com isso".

01/01/1989 - Junko passa o Ano Novo sozinha e com o corpo mutilado. Não conseguia mover-se.

44º dia - Os quatro rapazes mutilaram o seu corpo com uma barra de ferro depois de terem jogado Majong, jogo de tabuleiro tradicional na Ásia. Junko foi obrigada a jogar e acabou por ganhar ao seu concorrente o que fez com que fosse espancada e que o seu olho esquerdo fosse queimado por uma vela. Pegaram fogo ao corpo de Junko e viram-na a morrer. A tortura final durou 4 horas.

Junko Furuta morreu de choque, mais tarde, no mesmo dia, com dor e sozinha mas nada podia comparar aos 44 dias de sofrimento que passou.
Depois da morte, o seu corpo foi posto num tambor de metal e completo por cimento.

Quando a sua mãe soube a noticia e os detalhes do que tinha acontecido à sua filha, desmaiou. teve de se submeter a um tratamento psiquiátrico.
Os rapazes alegaram não saber o quão magoada Junko estava, pensando que ela estava a fingir. Foram presos e tratados como adultos mas as suas identidades foram mantidas em segredo pela lei japonesa sobre crimes cometidos por menores.

Os pais do rapaz que a tiveram em cativeiro tiveram que pagar 50.000.000.00 aos pais de Junko. Tempo depois, os quatro rapazes estavam de volta às ruas pois eram menores de idade. Todos mudaram os nomes e mudaram-se para outras partes do Japão.

Foram criados dois filmes e livros sobre o assassinato: Concrete-Encased High School Girl Murder Case de Katsuya Matsumura (1995) e Schoolgirl  in Cement de Hiromu Nakamura (2004).
Pensa-se que o primeiro filme da série "Guinea Pig" fosse inspirado no assassinato mas o filme é de 1985, ou seja, 3 anos antes do caso.


Não iremos colocar mais imagens para não ferir os leitores mais sensíveis no entanto, se quiser ver pesquise no google imagens algumas das imagens que foram para a Internet.

Pesquisado por Rui.

domingo, 21 de abril de 2013

O assassinato da Hello Kitty

No post anterior eu falei da história da Hello Kitty, a famosa gata sem boca.
Hoje o post vai ser sobre a famosa história que passou pela Internet.

O assassinato da Hello Kitty

Este caso ocorreu em Hong Kong em 1999. Uma mulher que tinha 23 anos na altura foi sequestrada e torturada num apartamento. A mulher só morreu após um mês por overdose de drogas nas mãos dos seus sequestradores (que eram 3 homens de idades entre 21 e 34 anos na altura) a qual foi decapitada e na sua cabeça foi inserida uma boneca de Hello Kitty.
Apenas o crânio da mulher, o dente e alguns órgãos internos foram recuperados.
O assassinato foi exposto após 14 dias e a antiga namorada de um dos três sequestradores relatou ter sonhos de ser assombrada pelo fantasma da mulher.
Os três homens foram condenados por homicídio.
Houve imensa publicidade em torno deste caso. Lançaram dois filmes: "Human Pork Chop" e "Há um segredo na minha sopa". E houve também um episódio na série Bones: "The girl in the Mask" que envolve encontrar uma cabeça decapitada de uma jovem japonesa.
Dizem que foi a partir desta história que o nome se tornou tão conhecido.

Juliana Dindarova.


História da Hello Kitty

Existem duas histórias sobre "Como começou a Hello Kitty" mas à nossa equipa apenas interessa uma história por ser a mais relacionada com o terror.

Pelo que contam, a Hello Kitty foi criada graças a uma menina de 14 anos que estava em fase terminal de cancro (câncer no Brasil) de boca. Os médicos já não tinham esperanças que a menina melhorasse. A mãe, desesperada, decide fazer um pacto com o Diabo. "Deu" a menina ao diabo para que ele a curasse e como promessa criaria uma marca de uma gata sem boca que fizesse sucesso por todo o Mundo. O Diabo curou a menina e a mãe fez o prometido: criou a marca Hello Kitty.
Hello Kitty quer dizer "Olá Diabo". Hello é Olá em Inglês e, pelo que dizem, Kitty é Diabo em Chinês.

Acreditam nesta história?



Juliana Dindarova

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim do Mundo (21/12/2012)

Aqui temos um post intrigante. Fim do Mundo. Acredita?

A equipa do Terror 666 decidiu tratar de um tema que neste momento aterroriza inúmeras pessoas.
O calendário dos Maias, prevê o fim do mundo em 2012, melhor dizendo... na data 21/12/2012. Sim, tudo um dia tem fim.
Mas será verdade?

Não acredito que o Mundo possa acabar amanhã.
Lembram do ano 2000/2001? Falaram que o Mundo iria acabar, mais não acabou.
Lembram da data 06/06/2006? Não aconteceu nada. Simplesmente nada. Agora inventaram esta data: 21/12/2012.

De qualquer das maneiras, sendo verdade ou não, o Terror 666 se despede pelo menos até saber se o Mundo irá acabar ou não. Se morrermos, nos encontraremos no Inferno.


Rui

domingo, 25 de dezembro de 2011

Mini-história da Diana (DSP) (3ª e última parte)

Aqui está a última parte.

Horas mais tarde a polícia chegou a casa da Matilde. Vera estava no local, ela sabia que algo iria acontecer. Reparou que o João estava no local e foi ter com ele.
- O que é que aconteceu?
- A Adelaide foi morta.
- Como pudeste?
- Não fui eu Vera, porque é que tu não me disseste que a Matilde tinha um revólver em casa dela?
A Vera não estava a acreditar.
- O estado dela piorou João.
João abanou a cabeça.
- Não temos muito tempo. Vem comigo!
Ele e a Vera encaminharam-se para dentro do carro dele. Vera ao entrar, reparou que a Matilde também estava presente.
- João, o que é que ela está aqui a fazer?
- Não faças perguntas.
Minutos depois estavam numa rua deserta.
- O que é que se passa aqui? - Perguntou a Vera.
- Tu vais ver o final. - Respondeu o João.
- O final? - Perguntou Vera sem perceber.
O João foi à mochila que trazia consigo e tirou de lá umas bolachas.
- A Adelaide estava a fazer isto antes de morrer. Acho que era para a Matilde, não sei. - Disse ele com um sorriso.
Vera percebeu tudo, foi ele que matou a mãe e é ele que vai envenenar a Matilde.
- Matilde, não fazes nada? - Perguntou a Vera a achar estranho a atitude dela.
- Claro que não Vera, ela confia mais em mim do que na melhor amiga dela. - Disse ele a sorrir.
e aconteceu...Matilde em minutos comeu uma das bolachas que o João trazia. Era o paraíso...a morte, porque a recebia dele.

Dias mais tarde, Matilde andava desaparecida, tinha saído da psiquiatria onde tinha estado. João estava morto, sepultado no cemitério de Lisboa, graças aquele incidente que aconteceu naquela rua deserta. Vera estava viva mas suspeita pela morte de João. Foi João que tinha morto Adelaide pois quando chegou a casa de Matilde, viu que esta já sabia a verdade. Vera, naquela rua deserta, ia sendo morta por Matilde, que trazia o revólver que pertencia não a si mas a João. Vera trabalhava com o pai de João que era da polícia judiciária mas pouca gente sabia. Com um revólver que trazia consigo matou João antes que Matilde pudesse fazer uma loucura. Matilde saiu a correr dali e mais ninguém a encontrou. Vera saiu dali mas esqueceu-se de apagar as provas ficando suspeita pela morte dele. Quanto a Matilde, ninguém sabe de nada mas algo que todos sabemos é que o João irá atormentar a pessoa que lhe acabou a vida. A Vera.

Fim!
E foi esta a mini-história feita pela Diana (DSP).
Leiam esta mini-história de noite. Aconselhamos.

Escrito por Diana (DSP), Postado por Juliana